A costa de Nampula está no mapa das rotas comerciais do Oceano Índico há mais de mil anos. Muito antes da chegada europeia, mercadores árabes e suaílis estabeleceram-se nas ilhas e enseadas do litoral, trocando ouro, marfim e tecidos com o interior do continente.
A chegada portuguesa, 1498
Em 1498, a armada de Vasco da Gama passa pela Ilha de Moçambique a caminho da Índia. A ilha viria a tornar-se a primeira capital de Moçambique e o principal entreposto português no Índico ocidental durante quase quatro séculos.
Dessa sobreposição de gentes nasceu a arquitectura que ainda hoje se vê nos seus três quilómetros quadrados: mesquitas árabe-suaílis, casas de comerciantes indianos, igrejas e fortalezas portuguesas — a Fortaleza de São Sebastião entre elas.
Património Mundial desde 1991
A UNESCO classificou a Ilha de Moçambique como Património Mundial em 1991, reconhecendo a excepcional preservação do seu conjunto urbano e a forma como nele convivem, lado a lado, quatro tradições construtivas.
A cultura que ficou
A herança não é só de pedra. A dança Tufo, executada por mulheres com tambores de pele de cabra e cânticos em Kiswahili e Emakhwa, nasceu na Ilha há mais de 300 anos sob influência árabe e suaíli, e espalhou-se por toda a costa.
No interior, o Mapiko — a dança das máscaras — mantém viva uma tradição ritual de iniciação. E em toda a província, a olaria, a cestaria e a escultura em pau-preto continuam a ser feitas como sempre foram.
Onde ver de perto
O Museu Nacional de Etnologia, na cidade de Nampula, é a melhor porta de entrada para a cultura material do norte de Moçambique. Na Ilha, a Fortaleza de São Sebastião e o Palácio de São Paulo contam o lado colonial da história.